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segunda-feira, 28 de junho de 2010





Eu tive um sonho que não era em todo um sonho
O sol esplêndido extinguira-se, e as estrelas
Vagueavam escuras pelo espaço eterno,
Sem raios nem roteiro, e a enregelada terra
Girava cega e negrejante no ar sem lua;
Veio e foi-se a manhã - Veio e não trouxe o dia;
E os homens esqueceram as paixões, no horror
Dessa desolação; e os corações esfriaram
Numa prece egoísta que implorava luz:
E eles viviam ao redor do fogo; e os tronos,
Os palácios dos reis coroados, as cabanas,
As moradas, enfim, do gênero que fosse,
Em chamas davam luz; As cidades consumiam-se
E os homens juntavam-se junto às casas ígneas
Para ainda uma vez olhar o rosto um do outro;
Felizes enquanto residiam bem à vista
Dos vulcões e de sua tocha montanhosa;
Expectativa apavorada era a do mundo;
Queimavam-se as florestas - mas de hora em hora
Tombavam, desfaziam-se - e, estralando, os troncos
Findavam num estrondo - e tudo era negror.
À luz desesperante a fronte dos humanos
Tinha um aspecto não terreno, se espasmódicos
Neles batiam os clarões; alguns, por terra,
Escondiam chorando os olhos; apoiavam
Outros o queixo às mãos fechadas, e sorriam;
Muitos corriam para cá e para lá,
Alimentando a pira, e a vista levantavam
Com doida inquietação para o trevoso céu,
A mortalha de um mundo extinto; e então de novo
Com maldições olhavam para a poeira, e uivavam,
Rangendo os dentes; e aves bravas davam gritos
E cheias de terror voejavam junto ao solo,
Batendo asas inúteis; as mais rudes feras
Chagavam mansas e a tremer; rojavam víboras,
E entrelaçavam-se por entre a multidão,
Silvando, mas sem presas - e eram devoradas.
E fartava-se a Guerra que cessara um tempo,
E qualquer refeição comprava-se com sangue;
E cada um sentava-se isolado e torvo,
Empanturrando-se no escuro; o amor findara;
A terra era uma idéia só - e era a de morte
Imediata e inglória; e se cevava o mal
Da fome em todas as entranhas; e morriam
Os homens, insepultos sua carne e ossos;
Os magros pelos magros eram devorados,
Os cães salteavam seus donos, exceto um,
Que se mantinha fiel a um corpo, e conservava
Em guarda as bestas e aves e famintos homens,
Até a fome os levar, ou os que caíam mortos
Atraírem seus dentes; ele não comia,
Mas com um gemido comovente e longo, e um grito
Rápido e desolado, e relambendo a mão
Que já não o agradava em paga - ele morreu.
Finou-se a multidão de fome, aos poucos; dois,
Dois inimigos que vieram a encontrar-se
Junto às brasas agonizantes de um altar
Onde se haviam empilhado coisas santas
Para um uso profano; eles a resolveram
E trêmulos rasparam, com as mãos esqueléticas,
As débeis cinzas, e com um débil assoprar
E para viver um nada, ergueram uma chama
Que não passava de arremedo; então alçaram
Os olhos quando ela se fez mais viva, e espiaram
O rosto um do outro - ao ver gritaram e morreram
- Morreram de sua própria e mútua hediondez,
- Sem um reconhecer o outro em cuja fronte
Grafara o nome "Diabo". O mundo se esvaziara,
O populoso e forte era uma informe massa,
Sem estações nem árvore, erva, homem, vida,
Massa informe de morte - um caos de argila dura.
Pararam lagos, rios, oceanos: nada
Mexia em suas profundezas silenciosas;
Sem marujos, no mar as naus apodreciam,
Caindo os mastros aos pedaços; e, ao caírem,
Dormiam nos abismos sem fazer mareta,
mortas as ondas, e as marés na sepultura,
Que já findara sua lua senhoril.
Os ventos feneceram no ar inerte, e as nuvens
Tiveram fim; a escuridão não precisava
De seu auxílio - as trevas eram o Universo.





Lord Byron

(Tradução de Castro Alves)





sábado, 26 de junho de 2010

"O problema não é passar por um deserto, e sim, ter nascido nele"

Ah quantos e quantos reclamam da solidão, pelo menos o que refletem sobre alguma coisa na vida, mas será que não é assim para todos? O mundo está cada vez mais individualista e solitário, cada vez tudo nos leva a ficar enclausulados em nós mesmo e nosso mundinhos consumistas, sim, lazer, amigos, sexo, tudo se compra,o prazer em viver voltou-se para o poder, poder de adiquirir, através do capital, o problema é a essência das coisas terem perdido o sentido, talvez seja essa a grande depressão do seculo 21, claro pra quem pensa um pouquinho, que até isso perdeu-se na falta de essência de ser um animal com "razão"(pensar?!,rs) Porque não existem filosofos atuais? Porque ninguém quer pensar, foram-se os velhos tempos de pessoas de verdade, observadores, analistas, pensadores, que desprezaram a vaidade, o dinheiro em prol de algo maior, talvez, a humanidade. Mas voltando a essência, e quando a essência perde o sentido, o valor também, ou seja quando as coisas tinham essência e valor a vida era mais feliz, sim, haviasse prazer no que era gratuito, coisa simples de graça que a natureza nos dá, e foram através da observação, experiência das coisas simples e gratuita em nosso mundo, que se nasceram grandes idéias, grandes pensadores, grandes teorias e o homem produzia coisas boas através do simples e gratuito, há se aquela maça não caisse, há se aquele kra nao esquece suas bacterias e nascesse a penicilina, a se darwin não observasse a natureza, freud não fosse apaixonado em observar o ser humano, ou um filosofo não se sentasse na frente de um por do sol e pensasse ou o poeta não fosse tão emocional e escrevesse o que sente, há se aquele pintor não viajasse na natureza simples das cores, da pele, do brilho, será que se eles estivessem preocupaos apenas com sua propria vaidade, satisfazessem só seu egoismo, teria aconteciso tudo isso?! A beleza mudou seu foco, a insastifação todo dia bate na porta, a solidão está sempre conosco, e quem mais se importa em ser natural, da natureza, pela natureza, no proximo e nela encontrar idéias, beleza, paz....qual homem se importa em ouvir seu proximo, dialogar, pensar, evoluir e assim se sentir satisfeito ...Estamos presos a um mundo consumista e egoista, ditador de padrão, ela dita sua felicidade, sua insastisfação e como seres sociais, não vivemos sozinhos, mas com quem compartilhar uma idéia, um sentimento, uma reflexão, estar feliz apenas em estar com o proximo, ou somente observar em conjunto um belo por do sol, quem pensa assim, senta-se sozinhos com todos esses atributos sem ter pra quem contar o que descobriu, que nada disso importa, senão a essência em ser, estar e viver pelo simples, pelo pensar, pelo sentir e aqui está sozinho a nisso pensar...

Retirado de um antigo blog que escrevia, fiz a alguns anos essa reflexão, porém, ainda sinto, vivo essa idéia.