
Toda a sua vida foi dividida entre o desejo de se revelar e o desejo de ocultar-se. Temos nosso segredo e nossa necessidade de confessar. Talvez recordamos como, na infância, os adultos conseguiam ver através de nós e que proeza consituiu dizer, temerosos e trêmulos, a nossa primeira mentira, fazendo assim por nós mesmos a descoberta de que, em determinados sentidos, estamos irremediavelmente sozinhos e , passando a saber que no nosso território interior somente nós podemos deixar pegadas. Há pessoas, porém, que jamais compreendem esta posição. Esta autêntica reserva é a base do genuíno relacionamento; mas a pessoa que sente-se mais exposta e vulnerável que nós, além de mais isolada. Talvez diga que é feita de vidro, de tal transparência e fragilidade que um olhar muito direto poderá reduzi-lo a estilhaços e pentrá-lo completamente. E de supor que ela se sinta precisamente assim.
Vamos sugerir que seja nesta base extraordinária vulnerabilidade que o homem irreal se torne tão adepto de esconder-se. Aprendeu a chorar quando se divertia e a sorrir quando estava triste. A franzir as sombrancelhas quando aprovava e a aplaudir quando estava aborrecido.
"Tudo isto que voc~e vê sou eu", diz a si mesmo. Mas somente em e através de tudo o que vemos pode ser alguém (na realidade).
Se deixa de fingir ser o que não é, e surge como a pessoa que passou a ser ele emerge como Cristo, ou como um fantasma, mas não como homem: Existindo sem corpo, é ninguém.
O eu dividido - Estudo existencial da sanidade e da loucura
R. D. Laing
(Interessantissimo achei sobre a vida do autor, participou da guerra, presenciou o terror humano de perto, talvez por isso desenvolveu certa SENSIBILIDADE e EMPATIA nos seus estudos, adorei, o melhor do genero que já li.)
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Reflexões de Sara às quarta-feira, dezembro 10, 2008
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