Gato que chamas a lua
como se fosse uma dama.
Desejas que seja tua
porque te ateou a chama.
Ignoras as leis morais,
mas não aquilo que sentes!
Considera-las banais,
segues só as indecentes.
Nem sempre te vejo assim.
Não sei bem o que te deu...
Mas olha bem para mim
para contemplares o céu.
Tu ficas tão baralhado
ao colher o meu reflexo!
Como queres ser amado
se nada dizes com nexo?!
Os teus olhos em delírio
suspensos na minha teia,
minha luz o teu colírio
que teu pêlo incendeia.
Achar-te-ia com siso
se trepasses esse poste...
Dar-te-ia um sorriso.
Não duvides, há quem goste!
Para te dizer que sim,
primeiro faz um desenho.
Só te direi se me vim,
depois do teu desempenho.
Quando for tempo ouvirás
o meu canto de sereia.
Esconde-te bem atrás
e espreita de volta e meia.
Assim que ouvires a voz,
vais perceber que me rendo.
Não me desates os nós,
porque é a ti que me prendo.
Minha mão é preciosa
como flor na primavera.
Deixa-me silenciosa
e fica quieto à espera.
Palavras de sedução,
essas que tu me dizes.
Mas nelas há negação,
vejo bem pelos matizes.
Num dilema me deixaste.
Vejo-te a ti num conflito.
Sei que nunca me amaste
por mais que mo tenhas dito.
Lua cheia sou eu hoje,
logo serei minguante.
Segue meu conselho. Foge!
Não mais serei tua amante.
Se voltar em lua nova,
passarei logo a crescente.
Será essa a minha prova
para ver quem é que mente.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Aluada
Reflexões de Sara às segunda-feira, novembro 16, 2009